O negociante Edmilson Simão trabalha no comércio de animais para abate em Petrolina, no Sertão do São Francisco. Ele afirma que o fechamento do matadouro municipal, em fevereiro, prejudica a cadeia produtiva da carne e incentiva a clandestinidade:
“Aumentaram os impostos, aumentou o valor do abate, então o custo do animal aumentou e diminuiu o lucro. Quer dizer, nós não estamos ganhando quase nada. A maioria dos marchantes que cortam carne nas feiras foram embora porque não têm condições de bancar esse valor. Os funcionários do matadouro, que eram diaristas, estão todos desempregados. O que a gente quer é que o matadouro daqui seja reaberto, e o impacto que está ocorrendo em Petrolina é a respeito do abate clandestino.”
O tema foi discutido em Audiência Pública promovida pela Comissão de Agricultura da Assembleia, na última sexta, na Câmara de Vereadores do município. A Prefeitura de Petrolina determinou o fechamento do abatedouro após o ajuizamento de uma ação pelo Ministério Público de Pernambuco. A promotora Ana Cláudia Sena de Carvalho determinou que, enquanto não fosse construído um estabelecimento que atendesse às normas sanitárias e ambientais, o abate de animais deveria ser realizado na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia. O aumento da atividade clandestina, desde então, é de conhecimento público na cidade.
A gerente geral da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco, Adagro, Erivânia Camelo, fez um duro pronunciamento sobre os riscos gerados por essa situação. Após observar que cerca de 70% das doenças são transmitidas por animais, ela garantiu que pelo menos 95% do abate de caprinos e ovinos no Estado é clandestino. Erivânia também apontou que o matadouro municipal de Petrolina – ao contrário do de Juazeiro, que é privado – está em condições precárias e só receberá laudo favorável da Adagro quando todas as exigências legais forem cumpridas:
“Primeira coisa, o prefeito desejar que aquele estabelecimento funcione, porque ele pertence ao município. Então, é preciso fazer uma grande reforma no abatedouro, dotar aquele equipamento público de condições para garantir o bem-estar dos animais que chegam até o abatedouro, que os animais cheguem sadios e saia uma carne de qualidade, não uma carne sem inspeção, clandestina.”
A médica veterinária também registrou condições preocupantes de higiene e conservação dos alimentos em pontos de venda, como feiras e mercados. Ela ainda demonstrou espanto com os diversos relatos de descumprimento das normas sanitárias na cidade, e adiantou que a Adagro vai atuar em conjunto com a vigilância sanitária municipal para reforçar a fiscalização em Petrolina. Em resposta, os negociantes de carnes afirmaram que não têm condições de cumprir as normas e apelaram para que o matadouro local seja reaberto.
O deputado Odacy Amorim, do PT, argumentou que a construção de um novo estabelecimento de abate de animais não representa custo, mas um investimento em saúde pública. O parlamentar busca uma solução pactuada com a Prefeitura:
“A minha proposta é uma audiência com o prefeito e convidar os deputados da região para essa conversa com o gestor. Se o prefeito precisar de uma emenda, que ele diga onde é que a gente apresenta. Mas eu acho que o melhor caminho aqui é uma audiência direta com o Poder Executivo Municipal.”
O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Miguel Coelho, do PSB, defendeu uma parceria em que o Governo do Estado invista na construção de um novo equipamento para atender à região. O projeto custaria entre cinco e seis milhões de reais, mas precisa de contrapartida da Prefeitura. O parlamentar criticou a ausência do prefeito Julio Lossio, do PMDB, mas fez um balanço positivo dos encaminhamentos da reunião:
“A gente sabe que a construção de um novo matadouro leva tempo. Pedi, e a Adagro vai nos fornecer, um projeto de reforma para o atual matadouro que está fechado. Tudo isso precisa ser debatido. Neste estudo que estamos pedindo à Adagro, estamos querendo que ela faça exatamente o melhor estudo para Petrolina. Torcemos para que, num período muito rápido, a gente tenha uma solução. Porque se não houver a reabertura do matadouro, quem paga é a população, que vai comer carne perigosa, clandestina, sem segurança e colocando em risco a saúde de todo mundo.”
O parlamentar também informou que a Comissão vai buscar recursos para o setor junto à linha estadual de fomento e aos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento.

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